- Não vá de roupas garridas a menos que seja um pedido da família – pode ser interpretado com um desrespeito. Vista-se antes de forma discreta;
- Não apareça amuada porque ninguém da família lhe ligou a informar da morte ou dos horários e locais das cerimónias – não pessoalize, não o têm em menos conta. São tempos difíceis e confusos. Seja compreensivo e agradeça a quem lhe fez chegar a notícia;
- Não censure a presença e as brincadeiras das crianças – a criança é lúdica e faz parte da família, logo, é bem-vinda naquele que também é um evento familiar;
- Não obrigue uma criança ou adolescente a estar presente contra a sua vontade – cada um tem os seus limites, respeite os delas;
- Não recuse a ida ao velório ou ao funeral de uma criança ou adolescente que mostra desejo em estar presente – as crianças têm igual direito de se despedir dos seus mortos;
- Não pergunte à família como foi a morte. Sobretudo, em casos de morte inesperada – suicídio, homicídio ou acidente. Saciar a sua curiosidade pode ser absolutamente traumático para quem detém as respostas que procura;
- Não force ninguém a aproximar-se do corpo – cada pessoa mover-se-á nos rituais fúnebres da forma que for mais segura para si;
- Não insista para um familiar colocar-se perto do caixão e ocupar o lugar de “anfitrião dos pêsames” ou assistir à cerimónia nos bancos da frente da igreja – algumas pessoas sentem-se mais confortáveis vivendo a sua dor de forma mais recatada;
- Mantenha-se atrás da família no enterro – saiba o seu lugar;
- Não vá além da intimidade que tinha previamente com a família;
- Não fique no velório como quem fica nos bancos da praça ao sol a ver as bandas passar se não for da família;
- Não encare os velórios como um ponto de reencontro de velhas amizades: não é esse o propósito. Lembre-se disso e não coloque a conversa em dia em voz alta, rindo;
- Não mace a família. Peça indicações aos agentes funerários sobre onde ficam as casas de banho, qual o caminho por onde vai seguir a marcha fúnebre até ao cemitério, em que horários é o funeral, etc;
- Não empreste o victan a ninguém – a medicação pode toldar a presença consciente nos rituais e anestesiar a vivência da dor. Mais tarde, a ausência dessa memória irá dificultar a elaboração do processo de luto. Deixe doer, é importante doer;
- Não diga que sabe como a pessoa se sente, que foi melhor assim ou que precisa ser forte – bem sei que é o comum e bem-intencionado, mas quando nos calha escutar percebemos que é só de uma insensibilidade ímpar;
- Não diga aos miúdos para não chorarem porque a pessoa que lhes morreu não ia gostar de os ver assim, também não diga que agora terão de se portar bem e não dar problemas aos adultos – ou estará a contribuir para um quadro clínico de luto infantil adoecido;
- Não pergunte quanto custou o funeral, se têm a certeza que a pessoa vai ser enterrada com o ouro, quanto vão receber de seguro de acidente de trabalho ou de seguro de vida – vamos combinar: funeral e velório não são auditorias financeiras;
- Não chegue atrasada e se chegar seja o mais pés de lã possível;
- Não faça comentários à aparência da família enlutada – sim, estão mais magros; sim, estão com ar abatido; é realmente uma surpresa, algo a se estranhar?;
- Não mexerique sobre a pessoa que morreu ou sobre qualquer outra – respeito, respeito, respeito;
- Não vá para insultar o morto. Se não gostava dele: não apareça. Simples e eficaz;
- Não faça discursos não solicitados sobre a pessoa que morreu nas cerimónias – se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro;
- Deixe a carpideira que mora em si em casa – seja livre na sua expressão, mas não teatral;
- Se tiver espaço no carro, ofereça boleia a pessoas mais velhas para o cemitério;
- Se chover durante a marcha fúnebre, partilhe o guarda-chuva;
- Seja simpática e cordial com os conhecidos e os desconhecidos – aprecie essa corrente de bem querer ao próximo;
- Se for uma pessoa próxima da família, garanta-lhes as refeições nesses dias, ofereça-se para cuidar das crianças e/ou vá entregando água e lanchinhos aos que permanecem no velório;
- Se for distante, apresente-se à família dizendo de onde conhecia quem lhes morreu;
- Relembre qualidades da pessoa que morreu ou momentos felizes que partilhou com ela;
- Fale pouco. Se não tiver palavras, diga que não as tem. Não diga nada, dê um beijinho, um toque de mão sentido, um abraço; fique próximo, pergunte se pode ajudar em algo;
- Não desapareça após as cerimónias, vá mantendo contacto ao longo do tempo com a família nem que seja através de mensagens e telefonemas.
Os funerais esperam-se lugares de despedida, homenagem e suporte social aos enlutados.
Contudo, quando estas boas maneiras não são cumpridas revelam-se lugares inseguros, cruéis e de profundo desamparo.
Precisamos, assim, perguntar-nos com a máxima honestidade, quem temos sido num velório e num funeral: a pessoa que agride ou a que ampara? Reflitamos.


