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ESTAR DE LUTO PELA MORTE DO PAI

As pesquisas apontam que aos cinquenta anos a maioria de nós é órfão de pelo menos um pai. Sabê-lo não nos prepara para enlutar. Não nos conformamos com a perda dos nossos pais tenhamos nós cinco ou cinquenta anos.

Perder o nosso pai é, frequentemente, uma saudade polvilhada de arrependimentos. Diante da morte algumas perguntas teimosas costumam visitar-nos:

  • Por que não passamos mais tempo juntos?
  • Por que não disse que o amava?
  • Por que não o visitei mais?
  • Por que não fomos a tal lugar?
  • Por que não fizemos tal coisa?
  • Por que não lhe agradeci o tanto que me cuidou?

Sem o olhar do nosso pai sobre nós, o mundo parece perigoso demais. Falta-nos coragem, a garra e uma bússola para continuarmos a trilhar caminho. Sentimo-nos desprotegidos e medrosos, quiçá até incapazes.

É que a figura arquetípica do pai é-nos exemplo, suporte, sobriedade e justiça. Contraponto. Cumplicidade. Oferece-nos um sentido de ordem e um direcionamento. Pai é símbolo de protecção.

Por isso, perder o nosso pai pode influenciar e condicionar as nossas escolhas futuras – com medo sonhamos mais pequeno. Esquecemos o tamanho do nosso “reino”.

Olha Simba, tudo o que o sol ilumina é o nosso reino.

[Mufasa, Rei Leão]

Quando o nosso pai morre, sentimos falta de quem ele nos foi, de quem ele nos era e de quem esperávamos que ele ainda nos fosse, mas, também, de quem ele nos possibilitava ser.

Às vezes, dentro da família temos de assumir papéis e funções que eram deles e quase sempre achamos que não damos conta. Não damos conta de viver num mundo onde não tenham materialidade. Mas se os nossos pais nos vissem, seriam os primeiros a dizer, do seu jeito pragmático e enxuto, que daremos sim – que possamos guardar essa certeza connosco.

Duas perguntas:

  • Qual é a melhor memória que guarda do seu pai?
  • Se pudesse conversar com o seu pai por mais cinco minutos o que lhe diria?

Duas notas:

  • Alguns não perderão pais, mas progenitores. Nessas mortes sente-se alívio e muita dor – como gostaríamos que tivesse sido diferente. Existirá, certamente, um caminho de perdão a trilhar e uma criança interior ferida para dar colo.
  • Alguns pais deixarão crianças e adolescentes órfãos, esses precisarão que o seu luto seja amparado, orientado, acompanhado e vigiado até à idade adulta. 

Numa situação e noutra o acompanhamento psicológico no luto é recomendado.