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Cada um de nós, ao enlutar, vai encontrar durante o seu processo de luto muitos significados. Na tentativa de obter o sumo, acredito que a síntese de todos seria: a morte ensina-nos a viver melhor.

A morte lembra-nos de nos demorarmos nas despedidas, de dizer o que sentimos, de pedir desculpas.

A morte lembra-nos de saborear mais os momentos e as pessoas, de estar nos lugares em que estamos, de desfrutar do que nos faz feliz, de sentir gratidão pelo que já possuímos.

A morte lembra-nos de cuidar melhor de nós – movimentando-nos, alimentando-nos, descansando mais.

A morte indica-nos o que é mais valioso para nós e por quais rotas devemos conduzir a nossa vida a partir do momento em que perdemos.

Quem morre, por sua vez, no seu último capítulo, tem a possibilidade de fazer uma leitura integral sobre o que foi a sua vida e o que nela falhou, tem, contudo, a impossibilidade amarga de recalcular a rota.

Bronnie Ware, uma enfermeira australiana que cuida de pacientes em fim de vida, compilou esses arrependimentos e percebeu que cinco deles se repetiam em muitas vidas. Escreveu generosamente um livro ,que foi traduzido em mais de três dezenas de línguas, partilhando toda a sabedoria doada pelos seus pacientes, para que pudéssemos nós evitar tropeçar nos mesmos erros. Nós, os que ainda temos capítulos em aberto.

Escutem-nos, reflictam nas perguntas que vos coloco e percebam se em vós eles incitam mudanças:

“Não ter tido a coragem de viver a vida que eu gostaria de viver e viver a vida que os outros esperavam que eu vivesse”

– A sua vida diz de si ou dos outros?

“Ter trabalhado tanto“

– Há espaço para o que é mais valioso na sua vida?

“Não ter tido a coragem de expressar meus sentimentos”

– Que mensagens por entregar guarda aí dentro?

“Não ter mantido contato com alguns amigos”

– De quem tem saudades?

“Não me ter permitido ser mais feliz”

– O que o/a faz feliz?

Não passe pela morte sem conversar com ela. Não esqueça: a morte traz consigo múltiplos significados, mas em todos ensina-nos a viver melhor. Viver melhor é viver de acordo com o que nos é significativo.